16 de julho de 2014

Mulher: Pare agora!

Quando se sentir tentada a ir além dos seus limites, obrigue-se e permita-se uma pausa. É inteligente e fundamental reservar um tempo para refletir sobre escolhas e caminhos.

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Todas os espaços conquistados pelas mulheres das últimas gerações, nos deu a sonhada “liberdade”, o que não impediu que nos tornássemos generais de nós mesmas, obedecendo continuamente nossas próprias ordens: cresça, avance mais, conquiste, prove, vença, siga. Após séculos no papel coadjuvante em nossa sociedade, onde só podíamos demonstrar nossa potencialidade como mães, cozinheiras, cuidadoras e donas de casa, agora aproveitamos para fazer tudo que está ao nosso alcance, no intuito de provar ao mundo o que estavam perdendo.

Nos tornamos campeãs em muitas modalidades, marcando presença onde, há apenas algumas décadas, nem supunham nos encontrar: desde estádios de futebol até poltronas presidenciais. Ganhamos muito com tudo isso: autonomia, respeito, independência financeira, liberdade, participação social e um enorme e imensurável cansaço.

É como se ainda estivéssemos vingando a complacência das gerações anteriores, é essa a sensação que temos de não haver mais tempo a perder. Estamos trabalhando e atuando no mundo não só por nós mas por nossas avós, bisavós, tataravós. E nessa aceleração desenfreada, acabamos nos esquecendo que a vida não é retilínea. É preciso considerar os ciclos naturais, que naturalmente se abrem e se fecham.

A alternação entre dia e noite, luz e sombra sempre teve um profundo significado para os povos antigos. Ela manifesta a dualidade fundamental que se expressa de tantas outras maneiras na natureza e nas nossas vidas. Ela evidencia o equilíbrio. Desde o nível atômico, tudo no universo está sujeito a ritmos e ciclos. Na natureza temos o dia e a noite, as estações do ano, as marés, os ciclos lunares. Nas plantas, temos o embrião, as folhas, o botão, a flor e o fruto, que nascem e morem em tempos determinados.

Nós também estamos sujeitos a esses ciclos. No nosso corpo, temos os batimentos cardíacos, a respiração (inspira, expira!), o dormir e o acordar. A cada sete anos, todas as células do nosso corpo são substituídas por novas células e, do ponto de vista puramente físico, somos uma pessoa totalmente nova. Uma existência é feita de amanheceres e entardeceres, de vida e morte, de início e fim. Fases. Esses entardeceres, essas sombras e mortes precisam ser acolhidos e vivenciados. Eles essas essenciais para a manutenção do equilíbrio emocional.

A infância, por

exemplo, é um ciclo. Ela inicia e precisa terminar, para que possamos entrar na adolescência, que encerrará na vida adulta. Cada ciclo precisa ser respeitado em suas características e duração pré-definidas. Não há sentido (e nem é saudável) em antecipar a adolescência numa criança de 8 anos (salto alto, maquiagem, agenda lotada), nem prolongar a adolescência além da conta (aos 35 anos ainda morar com os pais, não ter um projeto de vida, comportar-se irresponsavelmente). Aceitar as etapas de maturação sem querer adiantá-las e atrasá-las, é sinal de saúde psíquica, de uma vida bem construída.

Uma vez adultas, os ciclos se perpetuarão, alguns mais curtos, outros mais longos. E todos eles necessitarão de pausa. Por isso permita-se parar. Os relacionamentos amorosos iniciarão e terminarão. Haverá a hora de ter filhos, e a hora de vê-los partir para o mundo. Atingiremos idades emblemáticas (40 anos… 50 anos) e elas nos estimularão a fazer balanços, reavaliar nossas escolhas. Nosso corpo irá passar por modificações graduais, e a maturidade será fundamental para nos aceitarmos do jeito que somos (o que não nos impede de mantenhamos nossos cuidados estéticos: sentir-se bonita é benéfico sempre, no início e no fim de cada etapa, e principalmente durante!). Haverá o período da autoconfiança, haverá o tempo de duvidar de si mesma. Acreditar que se possa andar sempre em linha reta e em velocidade constante é delírio de uma mente que não se permite a dor dos encerramentos. Não se adquire consciência sem as passagens e reflexões dos términos e recomeços.

Logo, permita-se o recuo. Aceite os epílogos, as vírgulas, os pontos finais. Dê-se a pausa. Não é perda de tempo. Ao contrário: é o que possibilita que sigamos adiante ainda mais vigorosos. Descanse no acostamento. Mas aproveite deliciosamente a viagem.

Comentários

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