Foto de comida muda restaurantes e influencia chefs
Foto de comida3

Sabe o que é fazer uma plate-y (pronuncia-se pleití)? É tirar uma fotografia de um prato e postar na internet, hábito que tem hoje muito poder no mundo da gastronomia

Se há um ditado desgastado pelo tempo é o que afirma que beleza não põe mesa. Hoje, uma imagem massivamente curtida no Instagram vale mais que mil estrelas. Prova de que o exagero destas afirmações faz sentido é que o Culinary Institute of America, em Nova York, considerada a Harvard da cozinha, lança em maio do ano que vem seu curso de fotografia digital para aspirantes a chefs. Os professores são um fotógrafo e uma food stylist. “Vamos ensinar os princípios e as técnicas para se criar conteúdo e narrativa visual por meio da fotografia digital. Os alunos analisarão tendências históricas e atuais da indústria da comida e trabalharão em locações e estúdio”, conta a reitora do CIA, Denise Bauer.

Foto de comida2

E já tem restaurantes mundo afora contratando “produtores de comida” para trabalhar lado a lado com seus cozinheiros. É o caso do australiano The Grounds of Alexandria, em Sidney; E o investimento não para aí, tem gente reformando o salão para deixar o ambiente mais fotogênico. O craque Danny Meyer, dono do Union Square Hospitality Group e um dos restaurateurs mais célebres dos Estados Unidos, fez de tudo para sua nova pizzaria nova-iorquina, a Martina, ficar bem na foto.

É que nos nossos tempos impera o aforismo do gourmand romano Apício: saboreia-se primeiro com os olhos. E, por isso, é fundamental mandar bem nas plate-ys, as fotos de comida. 

Foto de comida

Ver uma foto apetitosa de um prato bem montado desperta emoções fortes. Segundo o pesquisador britânico Charles Spence, do departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Oxford, um dos maiores crescimentos de fluxo sanguíneo no cérebro ocorre quando somos expostos a imagens de comidas atraentes. Além disso, a visualização pode causar salivação e a liberação de sucos gástricos. “Pesquisas mostram que há ativação de uma série de áreas do cérebro, incluindo as de gosto, quando vemos imagens de comidas altamente desejáveis – ou pornfood, em outras palavras”, escreve em seu Gastrophysics: the New Science of Eating (336 páginas, Ed. Viking; US$ 18,36 na Amazon), recém-lançado na Inglaterra.

clube gastronomico em bh (2)

As pesquisas de Spence levaram a outra descoberta fantástica, a de que a comida em movimento (ou a ideia dela) faz milagres no cérebro de um comensal. Imagine: a gema escorrendo em um ovo pochê, uma fatia de lasanha sendo levantada do prato por uma espátula, um suco colorido e refrescante sendo despejado da jarra ao copo. É isso que explica o sucesso de ferramentas como o Boomerang (que põem a imagem em movimento) e dos pequenos vídeos publicados na rede.

 

Três dicas de ouro para bombar sua foto de comida

O fotógrafo especializado em comida Phil Masnfield será o professor do novo curso de fotografia digital e food styling do Culinary Institute of America. Para ele, mais que uma moda de Instagram, a atual obsessão por boas fotos de comida é fruto do espírito do tempo, em que a gastronomia virou estilo de vida e está em todos os lugares. 

1. Descubra o que chama sua atenção no prato. É interessante por que é diferente? Parece com algo que sua avó fez? Tente destacar na foto a característica que te atrai

2. Posicione o prato de modo que a luz do ambiente o ilumine bem. Deixar o prato na janela para pegar a luz natural, por exemplo, é uma ótima ideia

3. Fotografe o prato quando ainda estiver fresco, assim que chega à mesa. Em dois minutos o visual já muda

Comments

comments

Leave a Reply